Campos na fase vermelha: 100% de lotação de leitos e 16 pessoas em fila de espera

Nesta sexta-feira (26), o prefeito Wladimir Garotinho, em reunião virtual do Gabinete de Crise de Combate à Covid-19, apresentou à sociedade civil dados que apontam que Campos continua com 100% de ocupação das vagas disponíveis nos hospitais, com 14 pessoas na fila de espera de leitos de UTI e duas pessoas na fila de espera de leitos clínicos, com aumento do número de casos e de óbitos. Tudo isso aponta para a necessidade do município entrar na fase vermelha, mantendo o fechamento do comércio e de atividades não essenciais por mais uma semana, entre outras medidas restritivas que serão publicadas em Diário Oficial ainda nesta sexta-feira (26).


O Gabinete de Crise estendeu por mais sete dias o fechamento do comércio e de atividades não essenciais, ampliando o prazo inicial que era até o dia 28 (domingo), que tinha sido determinado na reunião anterior do Gabinete de Crise, no dia 19 de março. Participaram da reunião do Gabinete de Crise os promotores públicos Olívia Motta, Maristela Naurath e Marcelo Lessa, os defensores públicos Lúcio Campinho e Thaisa Guerreiro, representantes dos setores produtivos, vereadores da Câmara Municipal, profissionais de saúde, técnicos, entre outros.


O prefeito Wladimir Garotinho conduziu a reunião remota e destacou que segue se esforçando para abrir novos leitos, tendo obtido novos 10 de UTI e outros 10 clínicos, mas que ainda são insuficientes, porque existem hoje 16 pessoas em fila de espera. O prefeito citou que o governo do estado se comprometeu em abrir 900 novos leitos e que reforçou o pedido para que Campos obtenha 50 leitos desses que foram anunciados, mas que ainda não há detalhamento de quando e como isso irá acontecer. “A regulação é unificada, estadualizada, e o sistema se autocontrola encaminhando pacientes em filas para local mais próxima. Em Campos, apesar dos leitos que abrimos, ainda temos pacientes em fila de espera. Até ontem eram 700 pacientes em todo Estado”, assinalou Wladimir Garotinho.


Sobre as restrições ao funcionamento de atividades econômicas não essenciais, o prefeito Wladimir destacou que é preciso tomar decisões pela preservação de vidas, seguindo a orientação científica: “Quando fui eleito prefeito, os vereadores quando foram eleitos, ninguém foi eleito para prejudicar a cidade, para tomar decisões para prejudicar setores, mas estamos vivendo um momento de pandemia, mas temos que tomar as decisões necessárias para evitar um colapso maior para a cidade”, afirmou.


Em relação à questão da complexidade de se mover recursos materiais e humanos para compor os leitos de UTI e clínicos, o prefeito Wladimir Garotinho expôs: “A gente não tem leito de UTI, não é em Campos. Não tem leito de UTI no Brasil, no Estado, não tem remédio para entregar. Estou desde quinta pedindo para o governo do estado mandar medicamentos, mas ele não tem em estoque para todos os municípios”.
Abordando um ponto que foi destacado pela defensora pública Thaisa Guerreiro, sobre a ausência de planejamento nacional e de intervenção tardia, o prefeito defendeu a necessidade de integração dos atores públicos: “Ficou uma briga desnecessária entre governo federal e estados, municípios, e estamos todos pagando esse preço. A única saída é vacinar, prevenir e fazer avaliações semanais. Temos que fazer a nossa parte, os prefeitos estão unidos. Fomos recebidos pelo presidente da Alerj e isso nos permitiu a alteração do projeto do governo do estado sobre os feriados. Fomos à Assembleia Legislativa pedir para que os municípios, entendendo as suas necessidades naquele município, possam fazer suas restrições, uma vitória de nossa região que se propagou para todo o Estado”, explicou.


O secretário de Saúde, Adelsir Barreto, expressou: “É preciso reconhecer que nós vivemos um momento crítico e delicado, que envolve vida ou morte. Na verdade, estamos discutindo a sustentabilidade da vida. Os profissionais médicos, os cientistas são os mais indicados para apontar o caminho que devemos seguir. Nós estamos ficando impotentes para resolver o problema dentro da estrutura hospitalar: não há equipamentos, não há medicamentos, não há equipe médica suficiente em quantidade para atender as pessoas. Conversei com o secretário estadual de Saúde, Chaves, sobre o envio da medicação para Campos e ele diz que vai, mas falou que os estoques são finitos. Não vejo outra alternativa do aumentar as restrições de circulação”, acrescenta.


O presidente da Câmara Municipal, vereador Fábio Ribeiro, considerou o momento de agravamento e a necessidade de união da sociedade civil, das autoridades. “Em primeiro lugar quero pontuar que sempre defenderemos a vida. Na dificuldade só um tem um caminho, a união, e por isso é preciso buscar o consenso. Nós temos que avançar muito mais para atingir resultados melhores”, externou o presidente do Legislativo.

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