EX-SECRETÁRIO EDMAR SANTOS FICA EM SILÊNCIO DURANTE AUDIÊNCIA NA ALERJ

A Comissão de Fiscalização dos Gastos na Saúde Pública Durante o Combate do Coronavírus e a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) deliberaram pela convocação do empresário Mário Peixoto, de representantes da OZZ Saúde – empresa responsável pela operação do SAMU -, de integrantes do Instituto Unir Saúde, e da ex-subsecretária de gestão da Atenção Integral à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Mariana Scardua. Durante audiência conjunta nesta segunda-feira (06/07), o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, não respondeu às perguntas feitas pelos deputados, alegando ter sido orientado pelo seu advogado, Bernardo Braga, a se manter em silêncio.

Segundo o ex-secretário, ele não teve acesso aos itens que constam do inquérito 1388, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Sempre respeitei a Casa e compareci a todas as audiências que fui convidado. Mas quero deixar claro que ainda não tive acesso integral aos elementos de prova do inquérito, cujos fatos investigados dizem respeito direta ou indiretamente a mim, aqueles, pelos quais, fui chamado hoje aqui para prestar declarações. Dessa forma, fui expressamente orientado pelos meus advogados que, por hora, eu utilizarei do meu direito de silêncio, diante das perguntas que sejam relacionadas a mim”, alegou Edmar Santos.

A deputada  Martha Rocha (PDT), que preside as duas comissões, iniciou a reunião perguntando ao ex-secretário quando ele conheceu o governador Wilson Witzel. A pergunta não foi respondida, assim como todos as demais realizadas posteriormente. Martha Rocha também questionou sobre as compras dos respiradores feitos pela Organização Social IABAS; se o governador indicou algum nome para compor a Secretaria de Estado de Saúde (SES); quem indicou o ex-subsecretário Gabriell Neves, exonerado em abril, e qual era o prazo de entrega dos hospitais.

“Edmar você repetiu muitas vezes a frase: respeito esse Parlamento, mas mantenho minha posição de não responder. Mas queria dizer que o respeito deveria ser dado às 124 mil pessoas que foram contaminadas pelo Covid-19 e aos familiares das 10 mil que morreram pela doença. Elas foram impactadas pela malversação do dinheiro público e pela ausência de ética que o senhor teve. O seu silêncio soa como um soco nas pessoas que acreditam no serviço público. Ele nos ofende”, frisou a parlamentar.

O relaror da comissão, deputado Renan Ferreirinha (PSB) lamentou a decisão do ex-secretário Edmar Santos, que optou pelo silêncio. “Não podemos avançar porque não podemos contar com as suas respostas. Isso é um desrespeito à sociedade fluminense”, criticou. Ferreirinha ainda lembrou que Edmar saiu da Secretaria sem entregar nenhum hospital de campanha pronto.

Já o deputado Luiz Paulo (PSDB) disse não se surpreender com a postura do ex-secretário. “O senhor não está respondendo nada porque quem deve, teme. Quando você acha que as suas perguntas te comprometem, você se detém ao direito de se manter calado para não se comprometer e isso já diz muito sobre os fatos”, afirmou o parlamentar. Luiz Paulo ainda perguntou se Edmar estava pensando na possibilidade de uma delação premiada, mas não obteve resposta.

A comissões pretendem avançar ouvindo representantes da OZZ Saúde, empresa que operacionaliza o SAMU no estado, integrantes do Instituto Unir Saúde, a ex-subsecretária de gestão da Atenção Integral à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Mariana Scardua (oitiva já marcada para o próximo dia 09/07, às 10h), e o empresário Mário Peixoto, preso na Operação Favorito da Polícia Federal. Peixoto tinha contratos com o governo do estado desde a gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Fonte:ALERJ

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